Como Evitar a Sedação em Crianças Ansiosas
Realizar uma ressonância magnética pode ser uma experiência desafiante para algumas crianças. O ruído do equipamento, a necessidade de permanecer imóvel e o receio de ambientes desconhecidos podem provocar ansiedade. Consequentemente, alguns exames exigem sedação para garantir imagens com qualidade diagnóstica.
Contudo, existem alternativas que podem facilitar este processo. A Ressonância Magnética Aberta na Pediatria é uma possibilidade a considerar, sobretudo quando a criança sente desconforto em espaços fechados.
Além disso, a preparação psicológica e a participação dos pais podem contribuir para uma experiência mais tranquila. Em determinadas situações, estas estratégias permitem realizar o exame sem recorrer à sedação.
Mas será que uma ressonância magnética aberta consegue evitar sempre a sedação? E que medidas podem ajudar uma criança ansiosa? Neste artigo, explicamos o que diz a evidência científica.
1. Porque é que algumas crianças precisam de sedação durante uma ressonância magnética?
A ressonância magnética (RM) é um exame de diagnóstico que utiliza campos magnéticos e ondas de radiofrequência para produzir imagens detalhadas do interior do organismo.
Ao contrário de exames que utilizam raios X, não recorre a radiação ionizante.
Apesar destas características, a realização do exame exige alguma colaboração. A criança precisa de permanecer imóvel durante períodos que podem variar consoante a região examinada e o protocolo utilizado.
Por isso, existem vários fatores que podem dificultar o procedimento:
- Ansiedade: o ambiente clínico pode provocar insegurança e medo.
- Claustrofobia: alguns equipamentos convencionais criam uma sensação de confinamento.
- Ruído: durante a aquisição das imagens, o equipamento produz sons repetitivos e intensos.
- Idade: crianças mais pequenas podem ter dificuldade em compreender e cumprir as instruções.
- Desconforto físico: permanecer deitada e imóvel pode tornar-se cansativo.
Segundo a American College of Radiology e a RadiologyInfo, a necessidade de sedação depende da idade, do desenvolvimento da criança, da duração do exame e da sua capacidade de permanecer imóvel.
Assim, a sedação não é obrigatória em todas as ressonâncias magnéticas pediátricas. A equipa clínica deve avaliar cada situação individualmente.
2. Como pode a Ressonância Magnética Aberta ajudar crianças ansiosas?

Uma das principais dificuldades de algumas crianças é a sensação de estarem dentro de um espaço fechado.
Neste contexto, a ressonância magnética aberta apresenta uma característica diferenciadora: a sua configuração permite uma experiência menos confinada do que a de muitos equipamentos convencionais.
Menor sensação de confinamento
A estrutura aberta pode ajudar a reduzir a sensação de isolamento e claustrofobia.
Desta forma, algumas crianças conseguem encarar o exame com maior tranquilidade. O contacto visual com o ambiente envolvente também poderá facilitar a adaptação.
No entanto, a resposta varia de criança para criança. Uma máquina aberta não elimina automaticamente o medo ou a ansiedade.
Maior conforto durante o exame
O conforto é outro aspeto importante na experiência pediátrica.
Uma posição mais confortável e um ambiente menos intimidante podem facilitar a colaboração. Além disso, a possibilidade de acompanhamento por um familiar, quando autorizada pela equipa e compatível com as regras de segurança, poderá transmitir maior confiança.
Na REMA, a ressonância magnética é realizada em equipamento aberto. A clínica indica também a possibilidade de presença de um acompanhante em determinadas situações.
Abertura não significa adequação a todos os exames
É importante esclarecer que nem todos os equipamentos de ressonância magnética oferecem as mesmas características técnicas.
A qualidade das imagens depende, entre outros fatores, do equipamento, da região anatómica e do protocolo utilizado.
Por conseguinte, o médico e a equipa de imagiologia devem confirmar se o equipamento disponível permite realizar adequadamente o exame solicitado.
A escolha não deve depender apenas do conforto. A qualidade diagnóstica continua a ser prioritária.
3. Estratégias para evitar a sedação em crianças durante uma ressonância magnética

A investigação científica tem identificado várias estratégias que podem ajudar a reduzir a necessidade de sedação.
Uma meta-análise publicada em 2023 na revista Hospital Pediatrics analisou 46 estudos, envolvendo mais de 36 mil crianças e adolescentes. Os resultados indicaram que as intervenções não farmacológicas podem reduzir a utilização de sedação e anestesia geral durante exames de ressonância magnética.
Entre as estratégias mais relevantes encontram-se as seguintes.
3.1. Preparar a criança antes do exame
A preparação antecipada permite reduzir a incerteza e tornar a experiência mais previsível.
Os pais podem explicar o procedimento através de palavras simples e adequadas à idade.
Por exemplo, podem dizer que a máquina vai tirar fotografias do interior do corpo e que será necessário permanecer quieto durante algum tempo.
Também é aconselhável explicar que o equipamento produz ruídos. Assim, a criança não será surpreendida durante o exame.
3.2. Utilizar vídeos e explicações visuais
Os vídeos educativos permitem mostrar antecipadamente como funciona uma ressonância magnética.
Desta forma, a criança pode conhecer o ambiente, perceber a sequência do procedimento e compreender o que lhe será pedido.
Um estudo publicado na revista Pediatric Radiology, em 2025, avaliou intervenções audiovisuais adaptadas a crianças entre os 6 e os 12 anos. Os investigadores observaram uma redução do stress e dos problemas durante os exames, sobretudo nas crianças entre os 6 e os 10 anos.
3.3. Transformar o exame numa experiência familiar
O recurso a brincadeiras pode ajudar a criança a compreender o que vai acontecer.
Antes da consulta, os pais podem propor pequenas atividades:
- Brincar a permanecer imóvel durante alguns segundos.
- Simular o exame com uma almofada ou uma cama.
- Treinar a respiração calma.
- Ouvir sons semelhantes aos produzidos pelo equipamento.
- Recompensar a colaboração com palavras positivas.
Estas atividades não substituem a preparação clínica. Contudo, podem ajudar a desenvolver confiança e cooperação.
3.4. Permitir o acompanhamento dos pais
A presença de uma pessoa familiar pode proporcionar segurança emocional.
Além disso, os pais conhecem melhor as reações da criança e conseguem identificar situações que aumentam o seu desconforto.
Sempre que as condições técnicas e de segurança o permitam, a possibilidade de acompanhamento deve ser esclarecida previamente com a clínica.
É importante recordar que qualquer acompanhante também tem de cumprir os procedimentos de segurança relativos ao campo magnético.
3.5. Recorrer a técnicas de distração e relaxamento
Durante o exame, algumas crianças beneficiam de estratégias simples para controlar a ansiedade.
Entre as possibilidades encontram-se:
- Exercícios de respiração tranquila.
- Técnicas de imaginação guiada.
- Música ou conteúdos audiovisuais compatíveis com o equipamento.
- Instruções curtas e tranquilizadoras.
- Pausas, quando o protocolo e a equipa técnica o permitem.
Estas estratégias podem melhorar a experiência, embora a sua aplicação dependa das condições do exame.
4. O que diz a investigação científica sobre a realização de RM pediátrica sem sedação?
A possibilidade de realizar uma ressonância magnética sem sedação tem sido estudada em diferentes contextos pediátricos.
Os resultados são encorajadores, embora não permitam garantir o sucesso em todas as crianças.
Um dos trabalhos relevantes é a meta-análise de Thestrup e colaboradores, publicada em 2023. A investigação reuniu 20 estudos na análise quantitativa de crianças e adolescentes.
Nos ensaios clínicos aleatorizados, as intervenções não farmacológicas estiveram associadas a uma redução relativa de 32% na necessidade de sedação ou anestesia geral, comparativamente aos grupos de controlo.
Por outro lado, um ensaio clínico aleatorizado publicado em 2023 analisou 122 crianças entre os 3 e os 7 anos.
Os investigadores compararam três métodos de preparação: materiais educativos enviados para casa, acompanhamento especializado e treino num simulador de ressonância magnética.
No conjunto, 91% das crianças conseguiram completar o exame acordadas, sem sedação.
Estes resultados demonstram a importância da preparação antecipada.
Contudo, importa distinguir uma questão: os estudos avaliaram diferentes estratégias de preparação, distração e adaptação. Não demonstraram que a utilização isolada de uma máquina aberta evita a sedação.
Por isso, a melhor abordagem consiste em combinar o equipamento adequado com uma preparação individualizada.
5. Quando continua a ser necessária a sedação?
Apesar das alternativas disponíveis, existem situações em que a sedação continua a ser clinicamente necessária.
Isto acontece sobretudo quando a criança não consegue permanecer imóvel durante o tempo exigido pelo exame.
Alguns exemplos incluem:
- Crianças muito pequenas com reduzida capacidade de colaboração.
- Crianças com ansiedade intensa que não melhora com preparação.
- Dificuldades de desenvolvimento que comprometem a colaboração.
- Exames prolongados ou que exigem instruções específicas.
- Situações clínicas em que a movimentação pode comprometer significativamente as imagens.
As recomendações europeias de neurorradiologia pediátrica destacam que a sedação é particularmente relevante em crianças pequenas, frequentemente com menos de cinco anos. Recomendam também a utilização de vídeos, simuladores e estratégias de distração para reduzir a ansiedade.
A sedação deve ser decidida por profissionais qualificados, tendo em conta os benefícios, os riscos e as características individuais da criança.
Os pais nunca devem administrar medicamentos calmantes ou sedativos por iniciativa própria antes de uma ressonância magnética.
6. Como preparar o seu filho para uma ressonância magnética aberta?
A preparação começa em casa, vários dias antes do exame, sempre que possível.
Eis algumas recomendações práticas:
- Explique o exame com tranquilidade e sem criar expectativas negativas.
- Evite utilizar expressões como «não tenhas medo» ou «não vai acontecer nada».
- Mostre vídeos ou imagens de equipamentos de ressonância magnética.
- Explique que será necessário permanecer imóvel durante algum tempo.
- Incentive a criança a colocar perguntas.
- Informe a clínica sobre episódios anteriores de ansiedade ou dificuldades em exames médicos.
- Siga as instruções da equipa relativamente à alimentação, roupa e objetos metálicos.
Antes da marcação, confirme também se o equipamento permite realizar o exame específico solicitado para a idade da criança.
Esta informação é particularmente importante quando existe necessidade de obter imagens de regiões anatómicas específicas.
7. A Ressonância Magnética Aberta na REMA

A REMA, integrada na Rede Diagnóstico, disponibiliza serviços especializados em ressonância magnética aberta, na sua unidade de Alverca do Ribatejo.
Este tipo de equipamento pode representar uma alternativa interessante para pessoas que sentem desconforto em espaços fechados.
Além disso, a possibilidade de acompanhamento em determinadas situações constitui uma característica que poderá ajudar alguns pacientes a sentirem-se mais seguros.
No caso das crianças, a adequação do exame deve ser confirmada previamente com a equipa da clínica.
É importante verificar a idade do paciente, a região anatómica a estudar e os requisitos técnicos do exame.
Para obter informações ou esclarecer dúvidas sobre a possibilidade de realizar uma ressonância magnética aberta, poderá consultar o website da REMA: https://rema-aberta-pt
8. Perguntas frequentes sobre Ressonância Magnética Aberta na Pediatria
Não existe uma idade universal. A decisão depende da maturidade, capacidade de colaboração, ansiedade e características do exame. Algumas crianças pequenas conseguem realizar o procedimento acordadas, enquanto outras necessitam de sedação.
Pode ser uma opção vantajosa para crianças que sentem desconforto em espaços fechados. No entanto, a sua adequação depende do exame necessário e das características técnicas do equipamento.
Em determinadas condições, sim. A possibilidade depende das regras de segurança, da configuração do equipamento e da autorização da equipa responsável. O acompanhante também tem de cumprir os requisitos de segurança relativos ao campo magnético.
Não. Pode facilitar a colaboração de algumas crianças, mas não elimina a necessidade de sedação em todos os casos. A decisão depende da avaliação clínica e da capacidade de permanecer imóvel.
Não utiliza radiação ionizante. O exame recorre a campos magnéticos e ondas de radiofrequência para produzir imagens do organismo.
Resumo
A realização de uma ressonância magnética pode ser desafiante para crianças ansiosas. Contudo, existem estratégias que ajudam a tornar o procedimento mais confortável.
A ressonância magnética aberta pode reduzir a sensação de confinamento e facilitar a colaboração de alguns pacientes. Além disso, a preparação antecipada, o apoio dos pais e as técnicas de distração podem contribuir para diminuir a necessidade de sedação.
A evidência científica apoia a utilização destas estratégias, mas não permite garantir que todas as crianças consigam realizar o exame sem sedação.
Por isso, a escolha deve ser individualizada e considerar sempre a segurança da criança e a qualidade das imagens.
Tem dúvidas sobre a realização de uma ressonância magnética aberta para o seu filho?
Entre em contacto com a REMA através de rema-aberta.pt e esclareça previamente a adequação do exame às necessidades da criança.
3. Referências científicas
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Nonpharmacological Interventions to Reduce Sedation and General Anesthesia in Pediatric MRI: A Meta-analysis.
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[5] American College of Radiology / RadiologyInfo
Pediatric MRI e Pediatric Sedation.
Orientações informativas sobre exames de ressonância magnética e sedação em idade pediátrica.
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[6] REMA — Rede Diagnóstico
Informação institucional sobre ressonância magnética aberta, características do equipamento e possibilidade de acompanhamento.

